O caminho dos postos
Treze títulos, do turista acabado de chegar ao mais velho a quem se dá vez. Não são pontuações: são as palavras que os argelinos usam mesmo, e cada uma diz onde estás.
Acabaste de chegar. Sabes dizer olá, talvez obrigado, e tudo o resto passa-te ao lado. Toda a gente começa aqui.
A tua primeira sessão está feita. Os sons começam a separar-se uns dos outros — já não são um bloco.
«Pouco a pouco.» É o que te responderão se pedires desculpa por falar mal. Aqui é o método: ninguém aprende uma língua de uma vez.
Constróis frases. Coxeiam, corrigem-te, e é exatamente assim que deve ser.
«Percebi.» A palavra que sai quando a frase cai inteira, sem passar pela tradução. O primeiro clique a sério.
«Meu irmão», «minha irmã». Já não te falam como a um estranho: chamam-te como chamam aos seus.
«Meu vizinho», «minha vizinha». Já não és um convidado, moras ali. E na Argélia o vizinho não é quem vive ao lado — é a quem deixas as chaves.
«Do bairro.» A houma é aquele pedaço de rua onde todos se conhecem. Pertencer-lhe não é uma morada, é um reconhecimento.
«No topo.» Rak intik. Já não te elogiam pelo esforço, elogiam-te pelo nível. A diferença é enorme.
«Do país.» O bairro tinha-te adotado, agora é o país inteiro. Já não é uma pontuação, é um pertencer — e leva-se com orgulho.
O título dos cantores de raï: Cheb Khaled, Cheba Zahouania. Literalmente «o jovem», mas num sentido preciso: aquele que tem voz, aquele a quem se dá ouvidos.
«Meu tio», «minha tia». Não se fala assim a qualquer um: é o respeito dado a alguém mais velho do que tu, sem ser da família.
Quem fez a peregrinação. Um título que se guarda para a vida e se põe antes do nome. O mestre absoluto do chaâbi chamava-se El Hadj El Anka — não precisava de outro nome.